Jônatas Edison da Silva – Coordenador
A Inteligência Artificial generativa passou a ocupar um espaço cada vez mais presente nas atividades relacionadas à produção e organização da informação. Modelos de linguagem capazes de gerar textos, sintetizar conteúdos e estruturar dados desafiam práticas tradicionalmente associadas ao trabalho intelectual humano. No campo da Arquivologia, esse cenário provoca uma reflexão necessária, especialmente no que diz respeito à descrição arquivística, atividade responsável por representar documentos, registrar seu contexto de produção e garantir condições adequadas de acesso e compreensão. Considerando que a descrição não se limita ao preenchimento de campos normativos, mas envolve interpretação, contextualização e responsabilidade técnica, a incorporação de sistemas baseados em IA suscita questões importantes: quais são as implicações teóricas, representacionais e profissionais da incorporação da IA generativa nos processos de descrição arquivística? É a partir dessas inquietações que o presente projeto se estrutura, tendo como objetivo geral analisar as relações teóricas e aplicadas entre IA generativa e descrição arquivística. Para alcançar esse propósito, o estudo estabelece quatro objetivos específicos: a) mapear e analisar a produção científica nacional e internacional sobre as interfaces entre arquivologia e inteligência artificial, identificando tendências, enfoques teóricos e lacunas de pesquisa; b) identificar como a literatura científica tem abordado a incorporação da ia nos processos de descrição arquivística; c) aplicar modelos de ia generativa na elaboração de descrições arquivísticas a partir de conjuntos documentais previamente descritos; d) analisar as implicações profissionais da incorporação da ia na descrição arquivística, com foco nas competências e responsabilidades do arquivista. Metodologicamente, a pesquisa articula revisão sistematizada da literatura em bases nacionais e internacionais, análise temática direcionada à relação entre IA e descrição arquivística e aplicação experimental de modelos generativos em conjuntos documentais públicos. As descrições produzidas pelas ferramentas serão comparadas às descrições elaboradas por arquivistas, que funcionarão como referência analítica. A avaliação combinará análise qualitativa, fundamentada nos princípios arquivísticos e nas normas ISAD(G) e NOBRADE, com o uso de indicadores quantitativos consolidados na literatura, empregados como apoio à interpretação dos resultados. A decisão final sobre a adequação das descrições permanecerá sob mediação humana, reafirmando o papel do arquivista no processo. Espera-se que o projeto contribua para consolidar um panorama atualizado da produção científica sobre IA e descrição arquivística, identificar tendências e lacunas no debate acadêmico e produzir evidências analíticas sobre o comportamento de modelos generativos na representação documental. Mais do que propor a adoção de ferramentas tecnológicas, a pesquisa busca promover uma reflexão crítica sobre como integrar a mediação algorítmica às práticas arquivísticas sem comprometer seus fundamentos teóricos e sua responsabilidade social.

