UMA MEMÓRIA DAS RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS EM SANTA RITA: Documento oral e áudio-visual (2025-Atual)

Integrantes: Valdir Efun Lourenço e Lima de Santa Rita – Coordenador / Hadassa Liz de Oliveira Santos – Integrante / Grícia Guedes do Nascimento – Integrante / Agamenon Viana Lima – Integrante / Jose Silva dos Santos – Integrante / Kaliandra de Oliveira Andrade – Integrante / Célia Ribeiro de Araújo Rodrigues – Integrante / Miguel Gonçalves Veloso – Integrante / Radharanny Ribeiro Rodrigues – Integrante / Laísa Cardoso da Silva

O projeto de extensão “Uma Memória das Religiões Afro-Brasileiras em Santa Rita: Documento Oral e Áudio Visual” surge da necessidade de dar visibilidade e reconhecimento às expressões religiosas de matriz africana presentes no município de Santa Rita-PB, frequentemente marginalizadas e invisibilizadas no espaço público e acadêmico. Essas religiões como o Candomblé e a Umbanda são parte fundamental da formação histórica, cultural e espiritual do Brasil, mas ainda sofrem com o preconceito, a intolerância religiosa e o racismo estrutural. Dentre as justificativas para a execução deste projeto de extensão, compreendemos que a memória coletiva é um instrumento de resistência. Documentar os saberes de religiões afro-brasileiras a partir da fala de seus próprios sujeitos é uma ação afirmativa frente ao apagamento histórico. O projeto se justifica por seu potencial educativo, cultural e social, oferecendo um material acessível que pode ser utilizado em contextos acadêmicos, escolares e comunitários. Além disso, propõe-se um olhar transdisciplinar que conecta áreas como Arquivologia, Biblioteconomia, Comunicação, Educação, História e Ciências das Religiões, promovendo o diálogo entre teoria e prática. A universidade pública, por meio da extensão, tem o papel de dialogar com os saberes populares e tradicionais, promovendo a valorização da diversidade cultural e o respeito às liberdades religiosas. Nesse sentido, o projeto busca registrar e preservar memórias orais e visuais de praticantes das religiões afro-brasileiras de Santa Rita, reconhecendo-os como sujeitos ativos de saber e resistência. Este projeto nasce da necessidade de visibilizar e preservar as memórias das religiões afro-brasileiras na cidade de Santa Rita, Paraíba, a partir das experiências e narrativas de seus próprios adeptos. Trata-se de uma resposta ao apagamento histórico e simbólico sofrido por esses grupos em função do racismo religioso e da intolerância que ainda hoje persistem em diferentes esferas sociais. Historicamente marginalizadas, as tradições afro-brasileiras são comumente associadas a estigmas e preconceitos, o que contribui para a exclusão de seus praticantes da esfera pública e para o silenciamento de suas vozes. Assim, o presente projeto busca valorizar essas memórias como forma de resistência e afirmação identitária. Ao realizar entrevistas, registrar rituais e criar um documentário audiovisual, o projeto se propõe a produzir conhecimento em parceria com a comunidade, promovendo um espaço de escuta, respeito e intercâmbio entre a universidade e os terreiros. Além disso, o material produzido poderá servir como ferramenta pedagógica em escolas e outros espaços educativos, contribuindo com práticas de educação antirracista e com a construção de uma sociedade mais inclusiva. A proposta também fortalece o compromisso da universidade com a promoção dos direitos humanos, a cidadania e a justiça social, alinhando-se às diretrizes de extensão universitária que buscam transformar a realidade por meio da atuação direta com a comunidade. Assim, este projeto representa uma ação concreta de enfrentamento à intolerância religiosa, de valorização da memória coletiva e de democratização do conhecimento. Acreditamos que este projeto enquanto ação afirmativa, contempla a lei n. 10.639/2003, sancionada em 9 de janeiro do mesmo ano, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira em todas as escolas de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, no Brasil. Essa lei alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), lei n. 9.394/1996. Em dias atuais, os ataques de facções evangélicas a terreiros de Candomblé e Umbanda em algumas cidades brasileiras, sinaliza que os escravagistas estão vivos, vestidos com outras roupas e com outras práticas tão violentas quanto as anteriores.